Meu paradigma virtual


Uma chance para quem não baixou;

E aí galera!
VOCÊ NÃO BAIXOU O LIVRO DO BLOG PARADIGMA VIRTUAL o.O
É imperdível, é inaceitável!
Mas não se preocupe. Voltamos a colocar no ar o Livro Paradigma Virtual pra quem perdeu. Tá lá no 4Shared no link: http://www.4shared.com/file/43887878/ea25284a/cabral_tiago_paradigma_virtual.html?s=1

Uma coletânea dos melhores contos do Paradígma:

SUPERMAN VS. DEUS
MACULADA OFERENDA (XENA)
FILHA DO TROVÃO (TEMPESTADE, X-MEN)
O PRETORIANO
O DIA EM QUE FREUD ENCHEU A CARA

E ainda com 5 contos inéditos!!!

A VINGANÇA DO SEU MADRUGA
CHAPOLIN BEGINS
SEU MADRUGA MILIONÁRIO
JACK BAUER BRASILEIRO
GUN MACHINNE

BAIXE JÀ, é de graça!

Escrito por Tiago da Silva Cabral às 10h44
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Star Wars - Darth Vader: Remorço

Este conto se passa durante o Episódio VI

 

REMORÇO

 

Vislumbro a penumbra do passado. Vejo-me das sombras do futuro, da escuridão da qual não há mais volta.

 

Os troopers correm alvoroçados pelos corredores da Estrela da Morte. Eles param diante do galpão metálico chocados. Mesmo sendo soldados calejados de morte eles se assustam ao ver a crueldade com a qual o homem que é mais máquina que carne executa inocentes com seu sabre de luz rubro.

 

 

“Anakin, ainda há bondade em você!”, grita a voz em meus sonhos. Mas eu me concentro na realidade e ouço vozes me acusando de seu tormento. Vozes que tiveram suas vidas silenciadas pelo meu erro. As vozes não se calam. Eu os vejo cair às dezenas aos meus pés, desmembrados.

 

Um dos prisioneiros ainda estava amarrado, um segundo, solto, ainda corre ao ver que Vader caminha a passos pesados em sua direção. Ao tropeçar num dos membros decepados de seu companheiro, ele vai ao chão. Os troopers não conseguem passar da porta. O cheiro de carne queimada inunda tudo. Um cheiro forte e nauseante de gordura carbonizada pela lâmina de plasma de um sabre de luz. A vítima, vendo seu algoz se aproximar não consegue nem mesmo pedir por clemência. O espião da Aliança apenas berra e chora ao ver Darth Vader se aproximar.

 

A fadiga me deixa louco, as vozes não cessam.O respirador da armadura começa a chiar como uma bronquite metálica. Este pedaço de carne que chamo de corpo não agüentaria se não fosse o poder do lado negro da força.

 

O holograma aparece para os Troopers, nele vê-se um velho deformado com sua voz arrastada de cobra sibilar entre os ruídos transmissão. “Ordene Lord Vader que pare, pelo menos um deve restar!”, e a transmissão cessa. Os troopers se olham tentando empurrar de um para o outro a tarefa suicida de parar Vader.

 

Vader desmembra o espião sem piedade antes de mata-lo. A fumaça que sobe do corpo sendo decepado pela lâmina vermelha do sabre faz o trooper que corre na direção de vader ter náuseas.

 

 “Lord Vader, o Imperador deseja...”

 

As vozes não cessam! Eu preciso calá-las! Então vejo que o trooper flutua diante de mim aos espasmos enquanto eu o enforco usando a força. Eu paro um pouco antes da sua vida ser totalmente sugada, mas isso não é o suficiente para deixa-lo vivo. Uma pessoa mal enforcada ainda se debate no chão por alguns segundos. Seu braço ainda tremula enquanto eu passo por cima do corpo ameaçando matar a todos se eles não souberem o que o seu falecido companheiro tinha a dizer.

 

“Lord... Vader”, toma a iniciativa um trooper com a voz trêmula. “Lord Sidious ordenou que o senhor... Fosse mais cauteloso... Poupe alguns dos reféns, pede o imperador.”

 

Eu ignoro e sigo em frente. Vou rumo a minha cápsula onde posso repousar sem essa máscara que me separa do mundo. Onde eu posso ver a minha desgraça em carne e osso.

 

Não há espelhos dentro da cápsula de sobrevivência de Vader. Braços mecânicos com instrumentos assustadores surgem das paredes vindo de encontro ao seu frágil corpo coberto pelo pesado traje de sobrevivência. Facas, pinças e demais instrumentos que poderiam ser confundidos com ferramentas de torturam vasculham o seu corpo enquanto um outro retira seu capacete e o eleva até o teto da cápsula ao soar de um mínimo som de descompressão.

 

Não há espelhos dentro da cápsula de sobrevivência. Vader apenas observa os gráficos e números nos monitores. Aquilo agora é ele. Não há imagem, não há emoção. Não há adornos no lugar onde o Lord Sith repousa. Luzes piscam intermitentes e cintilantes enquanto o sibilar do movimento dos braços mecânicos se escuta. A luz quando reflete nos olhos da frágil forma sob o capacete é incômodo. Os números e gráficos antes apresentados diante de seus olhos transformando o mundo numa fria e desumana estatística agora estão longe. Os únicos números e gráficos que ele vê agora tentam traduzir o que um dia se perdeu, vida e humanidade.

 

“Anakin... Ainda há”...

 

A voz ecoa em sua mente. Ele não consegue descansar, nem mesmo fechar os olhos. O Lorde Sith agora olha para suas mãos metálicas encobertas pelo grosso couro de suas luvas. É um fardo pesado o que o ele carrega em suas costas. Apesar da frieza da máscara, apesar da indiferença do ato, matar é uma ação que acarreta sentimentos póstumos. E quantos ele já não matou?

 

O ruído estridente do computador o irrita. Alguém lá fora o incomoda. Ele hesita apertar o botão vermelho do lado do sinal. Mas o faz. Sua poltrona gira, o capacete novamente retorna ao seu lugar e a cápsula se abre.

 

“Lord Vader”, começa o almirante, “o imperador exige sua presença com urgência”.

 

Ninguém fica no caminho de Darth Vader. Mesmo uma formação inteira de troopers em guarda abre passagem para a figura imponente passar em seus passos pesados esvoaçando sua capa. Nem um pio se ouve até que a respiração mecânica desapareça do ambiente.

 

Ele entra na sala e vê as grandes costas de uma enorme cadeira que agora está voltada para uma janela redonda gradeada da qual se pode contemplar o espaço infinito. Ela se vira e nela se pode ver repousar um homem de capuz preto, velho, pálido e já muito deformado. Seu semblante está tão pesado quanto o céu cinzento que demonstra uma grande tempestade por cair.

“Lord Vader”, começa de forma dura a figura esmaecida na cadeira. “Está se esquecendo de seus propósitos? Está se esquecendo do que você é?”.

 

“Quem eu sou?”, penso. E ele me olha com o olhar penetrante que sempre possuiu. Desde pequeno eu percebo que ele pode ver através de mim. Meus sentimentos, meus temores, meus anseios. Eu não posso fugir disso, eu não consigo!

 

“Você não é um mero destruidor. Você é um enviado, você é a minha sombra!”, grita o velho agora se levantando com pouca dificuldade. “Como ousa me envergonhar? Como ousa botar meu plano perfeito em risco?”

 

Eu não temo por minha vida, e ele sabe disso. Ele sorri enquanto eu vejo o semblante desesperado de Luke com seu braço amputado prestes a se jogar da ponte, ele pode ver isso na minha mente.

 

“Darth Vader...”, começa ele com uma voz irritadiça e sínica. “Você está velho e fraco. Não me serve mais. Trará o outro Skywalker para o nosso lado e quando essa ridícula rebelião tiver seu fim ele tomará seu lugar ao meu lado. Tudo anda como planejado. A esta hora o prisioneiro que você não matou deve estar fugindo e levando o que ele pensa ser uma informação preciosa para a aliança rebelde. Eles virão até aqui buscando esperança e encontrarão uma frota de naves do império pronta para dizimá-los... Eu sinto o conflito dentro de você, Vader. Mas é inevitável. Em breve seus erros serão insignificantes e seu filho estará morto ou do nosso lado. Por isso, tema por sua vida, pois, em breve, você não mais será necessário.”

 

As luzes incomodam os olhos cansados novamente. Não há ruídos além dos produzidos pelos braços mecânicos ao fazer ajustes.

 

De todos os erros que cometi, corromper ou matar meu próprio filho será o pior deles. Mas não há escapatória. Não há meios de fugir disso. Qual fatal destino é esse que me aguarda? O

 

 dever de perseguir o próprio filho... Oh, Padmé, se eu tivesse lhe escutado. Minha obceção... Meu amor...

 

 

Ele apóia a fronte nas mãos e sente o couro gelado tocar sua pele. Tudo se torna escuro: o ambiente, o futuro; sua alma. Não há mais para onde fugir. Então ele apenas aguarda o momento em que Luke virá ao seu encontro e as palavras do imperador se transformarão em verdade...

 



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 00h05
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QUESTÃO DE FÉ

O conto que se segue é um conto extra do meu livro “Crônicas de um Tempo Perdido”, do qual já falei anteriormente. Ele se passa após o último conto “O futuro de Jues Crost” e segue a mesma linha de “Superman Vs. Deus” um conto que escrevi a muito tempo nesse mesmo site (vide arquivos). Com vocês: Questão de fé.

Escrito por Tiago da Silva Cabral às 00h54
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Nova York. Aproximadamente 2 mil anos a partir da data atual.

 

– Dá pra ver alguma coisa? – Escuta-se a voz abafada no fone do capacete. Uma voz feminina.

– Não, não dá. É incrível pensar que a dois mil anos a humanidade morava nesse planetóide. – Responde uma segunda voz.

– Acendam as luzes, os sensores dizem que já é seguro.

Luzes surgem como estrelas incandescentes ao redor de tudo. Elas flutuam a volta dos astronautas como pequenos sóis.

– O que você acha que vai acontecer agora? Acha mesmo que estamos prestes a fazer história? – Pergunta a voz feminina sob o capacete. Não há distinção de gênero, cor ou mesmo feição sob as roupas dos astronautas, sua individualidade só existe na voz.

– Eu acho que vamos sim. Vamos fazer história como os primeiros seres humanos a pisar na terra após o êxodo e da destruição do Târainar.Não restou muito depois que todo o saber acumulado por milênios foi destruído. Mas não vamos achar nada sobre ele. – Respondeu a voz masculina confiante.

– Sabe o que eu acho que vamos encontrar? – Pergunta a voz feminina irônica olhando sob uma pedra de escombro. – Encontraremos alguma prova que justifique o motivo de eu ser atéia. Vamos achar alguma espécie de manuscrito ou impresso dizendo que o Super-Homem é uma lenda.

– Eu duvido muito. Kal-el era indestrutível.

– Exceto por kriptonita, não é?

 

Superman

 De Tiago Cabral

CRÔNICAS DE UM TEMPO PERDIDO

Extra 1:. Questão de Fé.

 

 

Uma vinheta de TV irritante soa enquanto centenas de pessoas fazem o download dele na rede. Filosofia Moderna está no ar:

– Hoje estamos aqui com o historiador Marthen Commend e com o clérigo Mastor-el. Eu sou Gran Brent e este é o Filosfia moderna de hoje. Vamos discutir a primeira viajem tripulada a terra e seu impacto na sociedade atual. – Diz um homem usando uma roupa imcompreensível para pessoas do século XXI, mas completamente normal naquela época. Ele é loiro e de ar jovial. A câmera foca num senhor barbudo que parece pensativo. – O que impacto o senhor acha que essa viajem pode ter na sociedade atual que é, praticamente, baseada na religião dominante a adoração ao Super-Homem.

– Boa noite Brent, boa noite a todos que assistem ao “Filosofia Moderna”. –, começou o o velho. – É interessante esclarecer que, depois que o sistema digital que regia a sociedade foi destruído a história voltou a ser documentada da forma antiga, ou seja, fisicamente. A grande questão que norteia aqueles que não tem fé é ser a prova maior da existência do Super-Homem baseada apenas em resquícios não claros dos dados guardados no Tarâinar, ou seja, o sistema que regia a sociedade. Hoje, com a chegada dos astronautas no esquecido planeta Terra podem-se coletar provas da existência de um viajante das estrelas com poderes místicos deixado na terra para ser nosso salvador (?); ou que esta seja apenas mais uma história, uma ficção.

– Mastor-el, presidente do culto ao Super-Homem nos arredores de Alfa Centauro parece ter uma opinião divergente. – Completou o jovem apresentador. – O que tem a nos dizer?

– È claro que, a fé, por princípio tem grande valor na falta de provas. De que adianta acreditar naquilo que se pode provar? Não seria fé, seria apenas racionalidade. Até nisso, Kal-El, nosso salvador, foi perfeito. Portanto, os registros sobre sua existência, apesar de não muito objetivos, como nosso caro amigo cientista ressaltou, são concisos. Por exemplo, há várias pinturas sagradas da época de Kal-El que recontam sua história da mesma forma em que conhecemos hoje, o filho de um planeta destruído que é mandado a terra para nos salvar. Suas faculdades divinas, como sua visão, força e velocidade são descritos da mesma forma em todos os contos. Mas não, não devemos chamar estes sinais de provas, pois a fé não carece de provas mas apenas de sinais.

 

– Eu aposto cem créditos como agente acha o esqueleto do Super-Homem com DNA e tudo, provando que ele não era de outro planeta, que era apenas alguma espécie de charlatão, político ou coisa parecida – disse a voz feminina sob o capacete.

– Minha fé vale mais que cem pratas. Amiga. – Responde a voz masculina enquanto recolhe alguns objetos no chão. Tudo está escuro e poeira flutua tão densa no ar como areia remexida no fundo do oceano. A visão é limitada.

– Ta certo, acreditar que existem heróis capazes de sacrificar tudo pelo bem dos outros até que vai. Daí a acreditar que ele podia voar, soltar raios pelos olhos e, dentro outros, até ressuscitar é muita sacanagem. – Responde a voz feminina recolhendo mais objetos no chão.

– É realmente uma história muito intrigante. E isso dá beleza de ela ser verdade. – Responde a voz masculina.

– Isso é uma fuga, sabe. – Retruca a voz feminina. – É muito mais fácil dormir a noite colocando todas as suas esperanças num cara invulnerável e super poderoso. Encarar por você mesmo é muito menos fácil. Mas é ávida, é assim que se vive de verdade, assumindo a responsabilidade por si mesmo.

– Esse seu pensamento é inspirado pela filosofia maldita de Lex Luthor. Se Kal-El protege ele também pune aqueles que vão contra a bondade. Se não há alguém para punir tudo se torna libertinagem e o mundo vai ao caos. A não existência do Super-Homem é que é uma fuga pra você. Uma desculpa pra não se sentir culpada pelos seus pecados. Mas não há como fugir, os bons conhecerão a Nova Krypton, e os maus perecerão na Zona Fantasma.

– Ei cale a sua boca, vê aquilo? – Interrompe a voz feminina apontando para o breu. Uma das luzes avança a frente.

–Parece algo como uma... – Diz a voz masculina com certo espanto. – ... Capa?

 

– O tema de “Filosofia Moderna” de hoje aborda a viajem ao planeta terra e o impacto que as descobertas feitas lá podem causar na religião dominante, o Culto a Kal-El. Doutor Commend, você acha que é relevante procurar provas da existência do Super-Homem?

– Eu acredito – começou o velho historiador – que tudo que venha a complementar os registros da raça humana é válido. Uma pesquisa para saber se o Super-Homem é verdade ou mito é válida, mas não tão válida, quanto, por exemplo, as tecnologias existentes na época, como era regido o sistema político, ou o que fez com que a raça humana tivesse que deixar o planeta terra. Mito ou Religião, Krypton seria o único planeta do fora do sistema solar onde germinou a vida, visto que, todas a vida com que tivemos tido contato nos últimos duzentos anos provou ter se originado na terra. Eu acho que isso conta um ponto a menos para a religião, mas não a torna irrelevante. O Elismo, ou culto aos descendentes da casa de El e principalmente a Kal-El faz parte da cultura atual. E quaisquer que sejam os artefatos ou provas (a favor ou contra) encontrados na terra, o Elismo deve ser relevado enquanto patrimônio arquetípico da sociedade.

– Mastor-El, o senhor disse que “provas são irrelevantes para a fé”. E se alguma prova de que o Super-Homem não existiu ou mesmo de que ele foi um ser humano mortal e comum, qual você acredita que seria a posição da igreja? – Perguntou o loiro apresentador.

– A igreja – começou o clérigo – não tem posição quanto a esse aspecto da viajem ao planeta terra, pois, em verdade, acreditamos que, tudo que for encontrado lá não será tão grave que abale a fé dos crentes, ou tão positivo que a racionalize. O tempo virá e somente na hora certa, Kal-El retornará e construirá a nova Krypton para que os que são justos possam habitar. O mundo atual reflete a metrópolis de dois mil anos atrás, suja, corrupta, dominada pelos Luthor, mas somente aqueles que pedem socorro, se apóiam no Super-Homem, poderão ser salvos. Aos demais, resta a zona fantasma.

 

Os astronautas desenterraram avidamente a capa que possuía o S dourado revelando um estranhamente conservado uniforme de Super-Homem. O astronauta fez questão de pega-la de forma respeitosa e dizer: – Kal-El, todo poderoso. Tenha compaixão de nós e nos conduza a nova Krypton... Amen.

– Presta atenção – disse a voz feminina. – Tem alguma coisa escrita na gola... “Esta... Esta roupa não lhe concede o poder de voar...” – Houve um silêncio.

– Isso é uma fantasia de criança, como as que existem hoje em dia. – Disse a voz masculina. Isso prova a existência do Super-Homem.

– Isso não prova nada. – Disse a voz feminina.

 

–... Doutor Commend, explique-nos sobre a teoria do seu aluno Preston que virou um filme recentemente o “Super-Heroi”.

– Primeiramente eu gostaria de esclarecer que esta não é minha opinião sobre os fatos. Sou relativista o suficiente para duvidar de ambas as partes. Na teoria do “Super-Herói”, Presto nos fala sobre Kal-El sendo um mito da cultura popular do século vinte, uma história, contada, impressa e escrita várias vezes e difundida pelo mundo. Por isso há tantos registros sobre ela. O “Super-Homem” seria apenas uma fábula que, devido a incapacidade ou a deficiência dos registros após a destruição de Tarâinar, este mito tenha se tornado mais que um mito, mas sim uma entidade “religiosa” que habita os arquétipos do inconsciente coletivo de todos. Em fim. Uma história tão bem contada que se passa por verdade.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 00h52
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Crônicas de um Tempo Perdido



Finalmente terminei o livro que escrevo a mais de 5 anos.

Segue abaixo a sinópse/abertura do livro. Espero que apreciem!




CRÔNICAS DE UM TEMPO PERDIDO

ABERTURA


Originalmente, o sentido da vida era sobreviver e procriar. A simples satisfação dos chamados da natureza era o que bastava. O homem, porém, evoluiu. Tornou-se pecador ao provar da árvore do conhecimento. Alienou-se. Tornou a vida tão complicada que dezenas de conceitos filosóficos, teológicos ou científicos não eram mais suficientes para explicar a vida. Vinte mil anos depois do surgimento da civilização, que deveria ordenar a humanidade, a vida se tornou sem sentido.

Destino? Castigo divino?


...Ironia.




Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h17
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TEMAS HUMANOS - Personalidade: Conto 2


Ela estava em prantos no seu apartamento sombrio. O filete de luz do luar atravessava o pequeno vão entre as cortinas chegava até a sua pálida face molhada de lágrimas. Ele a havia deixado. Ela não conseguia aceitar. A paixão era ardente, pura e inédita na vida dela, porém, ele possuía um compromisso com outra mulher. Um compromisso, que, no menor conflito valeu mais do que os sentimentos dela. Mas agora ela chorava, mas não chorava pela perda. Ela chorou porque o homem por que acabara de se tornar sua nova paixão fechou a porta dizendo que a ama, mas possuía uma aliança dourada na mão esquerda. Destino?



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h19
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The Destiny's book - O último conto

Ele caminhava altivo pelo contínuo espaço tempo, arrastando por eras o seu capuz amarronzado e surrado. Seus pés descalços passeavam pelo tempo, enquanto seus olhos ocultos sob a sombra tudo viam e em seu livro tudo anotava; um livro pesado, preso a corrente que carregava. Mortes, vidas, batalhas, vitórias, derrotas, tudo ele via e anotava. Ele não se cansava, pois era perpétuo, ele nunca se enganava, pois chamavam-no Destino. Porém, um dia ele se foi surpreendido. Ao virar de uma página ele viu duas versões de uma mesma história que se escreviam naquele mesmo instante. Tal anomalia era impensada, mas ele deveria conferir.
Curvado sobre o meu notebook eu distorcia o tempo e o espaço a minha volta. O café seco já não cheirava, e o quarto já não estava mais desarrumado. O mundo se convertia ao toque dos meus dedos; quando o som das correntes ouvi.
– Destino – disse sem nem mesmo me virar. O perpétuo, ainda altivo, conteve seus passos. Ele observou aquela máquina na qual escrevia e percebeu que cada palavra que ali jazia se escrevia em seu livro.
– Então és tu – começou o perpétuo, sua voz grave e imponente capaz de causar respeito até nos mais ousados mesmo quando em tom sereno. – És tu o mortal que descobrira a essência de todas as coisas e agora verte o mundo como se fosse um Deus! Sua existência consta no meu livro, mas vejo que a altera insistentemente, por que fases isso, Verbo?
– Verbo? – Repeti com cuidado enquanto parava de digitar por um instante. – É assim que um perpétuo me chama?
– Está descrito no meu livro este momento. Deves escolher entre os dois fins do seu último conto: aquele que regerá tua vida pelo resto de teus dias mortais ou imortais. – Continuou ele lendo o grande e pesado livro.
– Sim, fui eu mesmo quem descreveu este momento, e o faço nesse instante. Então devo descrever minha existência no livro do Destino... – Respondi com pesar.


Felicidade e plenitude:

Foi então que vi em minha mente, e as palavras começaram a transcorrer:
Vi-me largando a faculdade e fazendo um curso técnico para me tornar mais uma ser desfigurado que trabalha numa grande empresa. Sem personalidade, sem individualidade, sem rosto. Assalariado, eu compro um carro, uma moto, uma casa. Conhecia a Amélia, uma mulher cuja beleza não despertava a cobiça dos olhos do mundo tal qual uma pérola ou diamante, mas que, singelamente, me chamava atenção. Nos amávamos, nos casávamos. Uma cerimônia humilde, votos ditados pelo padre, salpicão num jantar comemorativo que sai atrasado. Temos filhos, dois, um casal. Cada um têm mais um casal, e me vejo aposentado procurando coisas pra fazer num velho quintal enquanto Amélia prepara a ceia de natal. A casa fica cheia, netos trazem suas namoradas, e o que já é casado além da mulher traz os filhos. Ceamos felizes. Velho, deito-me cedo dizendo a minha linda Amélia, apesar das rugas, que a amo mais que tudo no mundo, e, relaxado, durmo tranqüilo, para nunca mais acordar pois tive um infarto durante o sono.

Poder e eternidade:

Como empresário de um ramo antes inexistente no meu país, eu ergo meu império sobre a escória do terceiro mundo. Iludo a muitos com o poder que descobri, que veio a mim por causa do dom que me foi presenteado na infância. Com a mesma ferramenta com que o mundo foi criado, eu o domino. Sou conhecido em todos os cantos do globo. Idolatram-me, me reconhecem; querem ser como eu, ter o meu poder. Com o verbo, minha espada, minha essência, faço com que todos fiquem ludibriados, fascinados com as alucinações que crio, e assim, mesmo crendo no contrário, o mundo se curva aos meus pés. Vejo-me na penumbra da vida, já tendo conseguido amuletos que garantissem minha imortalidade. Moro numa igreja na Suécia, feita de pedras escuras. No lugar do altar, um grande templo ao conhecimento: uma estante cheia de livros raros e iluminantes. Toco o órgão de pipa da igreja, cuja acústica permite um ar macabro ao local, havia dispensado Alfred, o mordomo, pois era véspera de natal. Abandonado, esqueço-me da vida e escrevo até o momento que os sinos badalam, é meia noite, é natal. Tudo está escuro e o vento apagou a bruxuleante luz que vinha das sombrias velas; não encontro o meu remédio, meu braço arde como se fosse arrancado. Diante do templo que construí à sabedoria, faleço caído no chão, só, palmas voltadas para cima, mas sorridente: sei que nunca serei esquecido.

O perpétuo fecha o seu livro bruscamente.
– Ainda assim, há dois fins para uma mesma existência, Verbo. – Contesta-me rudemente o perpétuo segurando seu livro sobe o braço.
– Não, não há. – Esclareço. – O fim deste conto eu já escrevi antes mesmo de seu início. – E então olho para as paredes rabiscadas de frases desconexas do meu quarto. Um código, uma chave, um encantamento que somente eu e ele saberíamos decifrar.
– Entendo – respondeu o perpétuo num tom admirado observando tudo que estava escrito na parede a lápis. – Então, isso confirma o que está escrito no início de sua existência.
Sorrio e pergunto ironicamente: – E o que seria?
– A sua existência é a única que não está descrita no livro do destino, ela há de ser escrita em outro lugar, como você já o fez.
E assim o perpétuo continuou sua caminhada pelo contínuo espaço-tempo, nunca se esquecendo do imortal que escreveu seu próprio destino.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 01h18
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O Incrível Miserável #1

A cidade do Rio não é tão maravilhosa nos subúrbios. Muito menos cheirosa.
Perto da favela até os garotos de rua tem asco do rio que já se tornou um esgoto ao céu aberto, com suas águas negras e viscosas como petróleo. Aqui as únicas aves que habitam são as carniceiras, exibindo suas longas asas sobre seu tesouro sujo.
A mulher caminha pela rua sinistra e suja olhando para todos os lados. Ela sabia que não devia passar ali, não naquele horário, não ao anoitecer. O garoto corre em sua direção. Talvez haja uns dez mangos pra ele matar a fome, quem sabe. Ele então passa correndo e com a força do medo puxa a bolsa da mulher fazendo-a cair. Ele corre ofegante e entra no primeiro beco escuro que vê. Olha para a bolsa andando agora de costas para vigiar a entrada do beco, quando ouve o ruído do lixo atrás de si se mover.
Ele se vira instintivamente e vê os dois olhos que brilham no escuro, amarelos. Ele se urina de medo. “ Eu não fiz nada” apavora-se ele. A coisa no lixo se remexe e se levanta dando passos na direção do garoto. “Por favor, não faz nada comigo...” pede o garoto desesperado. A mão verde-podre da coisa invade o espaço iluminado e apanha a bolsa do moleque, que sai correndo.
Se isso fosse antes, ele tentaria devolver a bolsa para a dona, mas ele simplesmente apanha o dinheiro que tem lá dentro e o guarda. Por que tentar devolver? Ela correria com medo assim que o visse. Mas ele ainda insiste num outro erro, o dinheiro. Ele sabe que não conseguirá comprar nada sem causar histeria por onde passar; ele também sabe que por mais que coma sua fome nunca irá cessar.
“Coma alguma coisa senhor”, diz o velho calvo no volante da limusine. “Há algumas frutas no frigobar”. Mas o homem engravatado na parte de trás não responde, apenas devaneia observando a paisagem. “Sabe, uma vez meu pai me disse que o Brasil era o lugar mais lindo que ele já tinha visitado depois da Nova Zelândia. Ele disse que me traria ao Rio pra conhecer o paraíso...” disse o homem. “Patrão, acredito que você tenha tempo para conhecer melhor o lugar” disse o homem ao volante. “Não, não tenho. Você sabe que não é a filial da Wayne Enterprises que me traz aqui...”, reponde um tanto ríspido. “Eu me esqueço que Bruce Wayne nunca relaxa”, diz o velho em tom de sermão. “... Um dia, num túmulo, quem sabe”, responde Bruce.
“Vamos todos deitar na rede e descansar os pés”, diz o Jornaleiro a um freguês, “afinal, isso aqui é a droga do Brasil”. “É sim”, concorda o freguês, “Não viu o velho Mário? Ganhou uma bolada no jogo do bicho e agora vai se aposentar!”. “Aqui ou se tem sorte ou se rouba algo, sabe”, continuou o jornaleiro, “acho que vou entrar para a política”, gargalha o jornaleiro. “Só rindo mesmo pra não chorar”, completa o freguês. “Olha só essa Mulher-silicone, na PlayBoy!”, diz o Jornaleiro apontando pra uma revista, “Ela já é um fiasco pra nossa imagem, e ainda se presta a uma coisa dessas! Olha o que diz a capa ‘uma heroína de peito’”. “Eu duvido que a Mulher Maravilha faça uma coisa dessas”, observou o freguês. “A Mulher Maravilha?”, surpreende-se o Jornaleiro, “Fala sério meu amigo, estamos falando de heróis de verdade”.
Ele se arrasta pelas ruas escuras e tenta de novo. Tenta ser humano como antes, mas a conseqüência é sempre a mesma. Mas quando ele entra no bar para tentar comprar algo a reação foi um tanto diferente. “Olhem gente, se não é um super-herói brasileiro!”, diz um bêbado e todos olham para aquele que apenas parecia um mendigo. “Deixe o mendigo em paz”, alguém resmunga enquanto todos olham para ele. “Não, vejam a pele verde dele”, diz o bêbado. “E você? Depois de assassinar um político agora também vai posar nu? G Mazine?”.
Ele aperta o dinheiro na mão com força. Ele já tinha aturado humilhações, mas aquilo era de mais. “Invencível Mendigo...”, continuou o bêbado, “diz alguma coisa, seu ‘ultra-corno’”.
“Hei cara”, diz um adolescente ao seu amigo. “Aquele lá no bar não é o Incrível Miserável? Vamos tirar uma foto dele!”. Eles correm em direção ao bar e um coloca a mão sobre o ombro do mendigo. Todos no bar riem. “Podemos tirar uma foto?” pede um adolescente, quando o pavor toma conta de um deles. “Cara olha a sua mão, olha a sua mão”, grita. Ele olha e sua mão começa a apodrecer, e em seguida o braço e logo ele cai no chão como se já houvesse morrido há um mês. O silencio impera. “Imagine um instante de dor e sofrimento”, diz o mendigo, “Agora, imaginem uma eternidade”. Em um instante, todos se juntam ao adolescente podre no chão.
“Afinal de contas, patrão Bruce, o que o senhor procura aqui? Espero que não sejam velhos fantasmas”, disse Alfred trazendo uma xícara de café para Bruce que arrastava uma grande e estranha maleta para traz do guarda-roupa pesado. Ele então liga a televisão que diz: “Hoje foram encontrados num bar quinze corpos em estado de decomposição avançado. Testemunhas viram um mendigo de pele verde saindo do local pouco depois das vítimas serem decompostas”. Ele então arrasta de súbito a mala que cai aberta no chão revelando um uniforme...


Escrito por Tiago da Silva Cabral às 16h44
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Temas Humanos

 

PREFÁCIO

 

O que faz uma boa história? Gente! Sentimentos, emoções, sensações. Por isso com prazer inicio a nova coletânea de contos do Paradigma Virtual: Temas Humanos. Eu como suposto entendedor de gente (futuro psicólogo) vou tentar compartilhar com vocês as principais teorias da psicologia de um modo que eu considero mais interessantes, as histórias! Apresento-lhes orgulhosamente o primeiro tema: a personalidade. Nesse primeiro conto eu defino o que isto é. Sirvam-se à vontade, e apreciem sem moderação. Comentários serão todos respondidos.

 

TEMAS HUMANOS: LIVRO 1: PERSONALIDADE - CONTO 1.

 

O bebê engatinhava com dificuldade sobre o chão frio da sala. A oportunidade era única, surgiu da distração da mãe com a visita de uma amiga e ele foi do tapete da sala ao chão puro rapidamente, ele queria sair. O chão gelado em suas pequenas mãos, a luz lá de fora em seus olhos, sem compreender o que queria ele foi, ávido  por explorar o ambiente. “Não, querido”, disse a mãe pegando o filho, preocupada com o aparente desmazelo que poderia parecer aos olhos da visita, “por aí não, você não pode ir lá fora, ainda é muito pequeno”. Pouca coisa ele entendeu das palavras, mas a negativa era totalmente clara.

“Não quero saber de você indo à casa do Rogério”, negou a mãe. Seus olhos cintilavam. Agora ele era um pouquinho mais velho, mas ainda uma criança pequena que não entendia muito das cosas. “Por que mamãe?”, perguntou ele; “É a casa dos outros. Sua casa é aqui, você tem que ficar aqui. Não te quero enfiado na casa do outros!”, respondeu a mãe ríspida. Ainda sem sentido para o pequeno, mas uma coisa ele pode entender além da negativa: só posso no que é meu.

“Aonde você pensa que vai?” interrogou o segurança do prédio ao adolescente. “Eu queria ver como é por dentro”, ele respondeu. “Não pode”, respondeu o guarda tão grosso quanto pode. “Hei cara, eu só quero ver!”, insistiu. “Só pode entrar aqui se for convidado ou se for o dono, e, pirralho, você não tem cara de nenhum dos dois”, respondeu o segurança dando passos adiante para forçar o garoto a andar para traz; “Some já!”. Mas ele ainda ficou do outro lado da calçada observando o enorme prédio. Grandes vidraças, larga calçada, um símbolo de poder que ele possuía, pois agora ele tinha cinqüenta anos e era dono de metade da cidade e dificilmente portas estariam fechadas para ele. Seu motorista estacionou na calçada enquanto seu paletó balançava ao sabor do vento. Ele contemplou o seu prédio por mais alguns instantes e começou a andar para o carro. No fim de tarde, entre ele e o carro havia uma mulher arrastando seu filho que apontava para dentro do carro esperneando: “mamãe, mas eu quero entrar no carro!”, “mas você não pode filho, já disse!”, respondeu a mãe, “mas eu quero, por que não, mamãe?” perguntou o menino tentando livrar-se de sua mãe, “por que ele não é seu!”, respondeu a mãe dando um solavanco na criança. Ele não entendeu porque, mas quando entrou no carro ele sorriu baixinho pra si mesmo.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h38
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MIL E UMA FORMAS DE SE FRITAR UM OVO

Chegou do trabalho cansado? Aguardando a janta ou o almoço sem mulher em casa? Seus problemas acabaram! Chegou o sensacional e prático livro de receitas escrito especialmente para homens másculos e machos que se recusam a aprender a cozinhar: “Mil e uma Formas de se Fritar um ovo”!

 

Escrito pelo grande mestre Cuca(oca) Tiago Cabral esse excelente encadernado traz receitas totalmente másculas para nenhum homem macho botar defeito! Veja abaixo algumas das receitas essenciais do livro que todo “mano” deve ter.

 

OVO CLÁSSICO ESTALADO: ESTILO ZÓIÃO:

 

Esta é a receita clássica dos Cheff’s machos que não estudaram em paris, por que esse negócio de estudar culinária em Paris é coisa de boiola.

 

Ingredientes:

  • Uma panela, mas de preferência uma frigideira (aquela panela baixinha onde sua mulher/ Mãe frita as coisas).
  • Um ovo.
  • Óleo.
  • Sal.

 

Modo de preparo:

 

Bote óleo na frigideira (mas não muito).

Quebre o ovo, pois quebrar é coisa de macho, e coloque-o na frigideira. Um conselho: quebre o ovo já dentro da frigideira.

Espere ele estalar.

Tire o ovo da frigideira.

Tempere (coloque sal) a gosto.

 

GORDURÊ, OU ESTILO INFARTE.

 

Semelhante ao outro, só que você colocará mais óleo e mais três ovos. É interessante usar uma frigideira suja (não imunda) na qual já tenha sido fritada uma carne, isso da um gosto especial no seu ovo. Ele vai ficar parecendo uma torta e dá até pra partir.

 

Vantagem: Você ainda pode jogar na cara da sua mulher que até aprendeu a cozinhar de tão abandonado que fica em casa sozinho.

 

OVO FRESCO: OU ESTILO CARNAVAL.

Modo de preparo idêntico ao estilo Zóião. O diferencial é que você procura os temperos que sua mulher guarda na geladeira e joga por cima pra dar o que os boiolas que fazem culinária chama de um ar “exótico”.

 

Compre hoje mesmo o Livro de Receitas: “Mil e uma Formas de Fritar um Ovo”.

 

Comentário do autor: “Eta falta do que fazer... xD”

 

 



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h44
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SOBRE A ARTE DE ESCREVER QUADRINHOS

 

Antes de começar é bom esclarecer que eu também sou amador, assim como qualquer leitor em potencial desse texto. Então me considere como um amigo que quer expor suas idéias sobre suas experiência na arte de criar histórias.

No curso de Introdução ao Desenvolvimento de Jogos que ministro pela KBgames na MB informática nós temos um módulo que se chama “Projeto,Roteiro e História”. Na parte específica da história eu exponho aos meus alunos, que geralmente não possuem nenhuma noção desse assunto, uma técnica primária de desenvolvimento de história, a jornada do herói. Porém, mesmo muitas vezes não sendo escutado por causa da empolgação dos mesmos, eu digo a eles que, existem grandes histórias que não utilizam uma técnica específica.

Isso, no fim das contas, acaba se tornando um negócio engraçado de se pensar, como por exemplo, empresários bilionários que nunca fizeram administração ou algo do tipo. É uma coisa que pode nos levar a pensamentos desestimulantes como, por exemplo, que “criar histórias boas é um talento nato” e que “manuais e técnicas de escrever quadrinhos são outros modos de super-autores ganharem dinheiro”.

O fato é que, como diz Bauman em seu livro “o mal estar na Pós Modernidade”, é meio difícil ser vanguarda no mundo atual, visto que, o que conta nem sempre é a originalidade, como era na época das artes clássicas, mas sim a quantidade de cópias que se vende. Mas ainda há esperança, uma luz no fim do túnel.

È interessante lembrar que Einstein não inventou a física, nem Beethovem a música, porém eles ainda assim são chamados de gênios. O que há de diferente ou de relevante neles? A resposta é que, eles usaram tudo que já havia antes como degrau para dar um passo adiante e a cima nas artes e ciências nas quais se propuseram a trabalhar.

Portanto, essa é a ótica que se deve ter sobre as técnicas e trabalhos anteriores aos nossos. Devemos aprender e nos basear naquilo que já existe, mas sempre empreendendo novas óticas a tudo que se faz, mantendo assim a originalidade. E isso é justamente o que tentei fazer no texto abaixo chamado “O vaso”.

O grande Allan Moore, certa vez, escreveu um texto sobre a arte de escrever quadrinhos publicado no “Comics Journal” em 1988 no qual ele diz algo bem parecido. E também dá explicações sobre a sua própria técnica de escrever quadrinhos explicitando bem que não queria um monte de escritores criando histórias iguais as dele, mas sim que sua técnica servisse de orientação inicial para estes.

Em “O vaso” eu, contraditoriamente, tento copiar o estilo Alamooriano com feliz insucesso, pois textos são como impressões digitais, cada autor tem seu estilo. Mas dissertarei aqui sobre a minha tentativa.

Alan Moore diz em seu texto que o importante numa história não são os fatos ou a ação, mas sim como as pessoas reagem e se sentem em relação a estes. Ele gosta de colocar um evento,ou ação, narrado de vários pontos de vista, vários ângulos humanos diferentes. Em o vaso, eu faço (ou tento) isso com a ação do vaso se quebrar no chão. Vários ângulos, várias vivências diferentes de pessoas diferentes sobre uma mesma ação ou fato.

Temos também um exemplo de conexão entre esses ângulos diferentes quando eu falo sucessivamente “não era ele mesmo” para os dois garotos e, no corte, temos o marido falando para a esposa “você não é mais a mesma”. Numa HQ (ou banda desenhada) isso poderia ser feito mantendo-se um certo tom de cor na próxima cena (ou página), ou mesmo textualmente como uma fala ou os dois.

Ainda há, nesse mesmo texto, uma linha temporal onde são encaixados esses ângulos diferentes que começam, giram ao redor de, e terminam na mesma cena ou ação. Isso é legal quando você já tem um tema bem definido pra sua história. Assim você consegue brincar com a ordem dos eventos sem distrair o leitor ou fazê-lo se perder. Eu começo e termino o texto com a mesma cena, fazendo uma brincadeira com a ordem cronológica dos acontecimentos.

Então, é isso. Leiam abaixo “o vaso”, para melhores esclarecimentos.

Até.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 21h57
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O vaso.

Era só um vaso.

Quebrado, partido no chão. Os dois pequenos olhando para ele intrigados, pois como isso foi acontecer? O que saiu errado? “O que eu devo fazer com vocês dois, moleques?”, esbravejou a mãe enfurecida?

Minutos antes, Joãozinho não era ele mesmo. Ele era um super-herói como o dos desenhos animados. Ele era invulnerável! Ele podia voar por estrelas, nebulosas, galáxias, planetas surfando sobre sua prancha prateada: o tapete da sala.

Zezinho não era zezinho. Ele era um grande engenheiro espacial que estava empenhado em construir seu cruzador estelar. Cada detalhe devia ser meticulosamente planejado pois a sobrevivência dos homens-de-venososos dependia da construção daquela nave.

“Você não é mais a mesma”, retrucava a marido numa calorosa discussão com sua esposa. “Você me trata diferente, está fria comigo”, insistiu ele. “E você não me dá atenção. Mas sempre foi assim, as coisas só podem acontecer quando você quer, sempre do seu jeito”.

Blang! Ouve-se o delicado barulho do vidro se partindo em dezenas de pedaços. O silêncio se instaura na casa após o fim do último ruído do pedaço do vaso se espalhando pela sala.

“O que eu faço com vocês dois, moleques?”, esbraveja a mãe enfurecida.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h31
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Fantasia: Eu no Jô

Jô contando piada

O sexteto tocava com destreza incomparável como sempre, quando se vê o gordo em pessoa dançando alegremente em seu terno azul que agora ele desabotoa comicamente e dá algumas reboladinhas fazendo alguma careta sexy. Ele abotoou novamente o terno com uma das mãos e com a outra mandou que o sexteto parasse com sua famosa viradinha. “Uma corrente está correndo na Internet com o fim de chegar até Ozama Bin Landen”, começa ele elevando o tom de voz num tom caricatamente sério ao dizer o nome do terrorista, “ele manda que todas as pessoas que o recebam reenviem o e-mail até que este chegue na mão do famoso terrorista. Eu mesmo já recebi umas quatro vezes, e reenviei mais quatro”, ele para por um instante enquanto a platéia gargalha. “Ele vem com uma foto em anexo e com o seguinte texto:” vemos as torres do palácio do planalto, “Bin Ladem, aqui tem mais duas torres!”. Ele fazia cara de sério enquanto podia-se ouvir a esforçada gargalhada de Bira e da platéia ao fundo.

“Ele fez psicologia para ser escritor e agora está levando o Brasil para o mundo com suas revistas em quadrinhos. Eu vou falar agora com o escritor, game designer e roteirista de quadrinhos Tiago Cabral”. E então um blues sombrio, típico de filmes policias antigo, e trilha sonora preferida de quadrinhos, começou a tocar enquanto eu me levantava e cumprimentava o grande Jô soares. Sentei-me no famoso sofá enquanto Alex puxava a cadeira para o Jô. Eu logo focalizei a caneca e tomei um gole para me certificar que era água mesmo. “É água mesmo!”, cochichei pra câmera sorrindo. “E então, Tiago”, começou o Jô. “Pode me chamar só de Cabral”, interrompi. “OK, Cabral, como que foi esse lance de fazer Psicologia pra ser escritor?”, perguntou o gordo. “Bom, na verdade eu descobri que queria fazer psicologia pra ser escritor quando já estava fazendo”, respondi sorrindo, “sabe, eu sempre fui muito impulsivo em relação aos estudos. Um belo dia decidi que ia fazer psicologia e me matriculei, depois pensei no ‘porque’”. “Mas você também fez informática, não?”, perguntou o Jô, “e foi do mesmo jeito? Deu na telha e foi?”. “Bom”, comecei, “na verdade, quando eu fui fazer o curso Técnico de informática eu tinha um objetivo bem definido: aprender a fazer jogos”. “Ah, então foi aí que surgiu a Kbgames?”, ele perguntou tomando um gole d’água de sua caneca. “Não. A Kbgames surgiu depois da escola técnica. Surgiu mesmo quando eu terminei, digo claramente: terminei!, o meu primeiro jogo. Que era um jogo de uma lan house que fechou. Eu ia muito nela nos tempos que estava na escola técnica. Aliás, um grande abraço pra todo mundo da Kingdom!”, quando falo da Kingdom me levando e faço o símbolo do metal com a mão direita. “É, eu to vendo que você está com a blusa da Kingdom”, diz o Jô observando a minha blusa. “É sim”, respondo, “é uma promessa”. “Então quer dizer que você já premeditava tudo isso?”, indagou surpreso. “Claro que não. Eu apenas sonhava”. “Muito bem”, disse ele mudando de assunto, “Mas, quando surgiu a idéia do Wordman?”. Eu paro e sorrio um pouco, “numa terça-feira de carnaval”. “Então você criou o Wordman lá, no meio de o calor de um trio elétrico ou durante a dor-de-cabeça da ressaca?” Brincou ele e ouviram-se algumas gargalhadas na platéia. “Não. Na verdade, foi numa madrugada bem quente”, respondo.  O Jô fez uma caricata cara de espanto. “Não, não esse tipo de ‘calor’ que você ta pensando”, intervi sorrindo. “Ah, bem”, brinca ele. “Tava muito quente, e meu ventilador de teto não era suficiente. Aí estava eu às duas horas da manhã, sozinho em casa. Minha família tinha viajado pro litoral. Então eu me lembrei de algumas coisas de Lacan, de algumas conversas com amigos meus, li alguma coisa de Freud, e quando vi, insight. Eu tava terminando o numero um” respondi. “Então quer dizer que você já começou escrevendo uma HQ”, observou Jô. “Sinceramente?”, perguntei retoricamente. “Eu não sei quando a idéia da HQ surgiu. Só posso dizer que decidi fazer alguns esboços uns dias depois. Mas a idéia desandou em alguns momentos por que eu não me encarava apto para ilustrar e o Odair, que seria meu futuro editor, disse que não rolava sem ilustração. Antes de chegar ao fim da história eu pensei seriamente num livro. Mas depois de ouvir algumas opiniões eu encarei os fatos: teria que me arriscar”, respondi tomando um gole d’água ao final. “Você citou Freud e Lacan, mas, do mundo dos HQ’s quais foram suas referências?”, perguntou o gordo apoiando seu braço no sofá. “Eu li muito Neil Gaiman pra poder ter a sacação de ‘divindade’ do Wordman”, eu respondi. “Sandman, eu suponho”, interrompeu ele. “Exato. De uma certa forma agente poderia brincar que o Wordman é um ‘Sandman brasileiro’”. Eu tomei mais um gole d’água. “Mas eu li bastante Frank Miller também, pra saber colocar uma pitada ‘sombria’ ou, no mínimo, cruel nas minhas histórias. Mas o que eu herdei dele, juntamente com o Dave Mackean foram os estilos de ilustração”. “Agente vai pra um rápido intervalo e já voltamos, no segundo bloco, com o Tiago Cabral que vai falar mais sobre o Wordman, e sobre o seu novo Livro. Solta o VT”.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 00h29
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(continuando...)

Caneco do Jô: Só tinha água.

“Estamos aqui conversando com Tiago Cabral que é escritor, game designer e roteirista de HQ”, começou Jô. “Tiago, digo, Cabral, conta mais sobre essa sua história que você tem com a ficção cientifica”. “Jô, é um negócio antigo esse. Eu lembro que tudo começou quando eu ganhei uma coletânea de livros, já bem velhos, que pertenciam ao meu pai que se chamava ‘o saber em cores’. Mas tinha tudo lá sobre ciência. E na época que eu era pequeno havia muitas séries japonesas com robôs, ciber-armaduras e todo tipo de parafernália tecnológica. Então, eu escrevi a primeira versão das crônicas, que era na verdade, a minha versão de Jaspion. Chamava-se Thascorpion, nada mais que Tiago misturado com escorpião, meu signo”, respondi sorrindo. “Então quer dizer que você está escrevendo esta história desde que idade?”, ele perguntou. “Jô”, comecei, “o meu registro mais antigo é de quando eu tinha doze anos, se não me engano. E por curiosidade, era uma HQ”. “Então você sempre teve aí uma veia pros quadrinhos?”. “Sim. Eu lembro que tinha uma tia minha que me incentivava, minha tia Francisca, aliás, um grande beijo. Toda vez que ela vinha a minha casa, eu corria pra mostrar alguma história em quadrinho que eu havia feito. Ela só reclamava dos erros de português”, comentei rindo. “Mas e toda a mitologia de Crônicas de um Tempo perdido, a sociedade perfeita, quando surgiu isso?”, ele perguntou. “Bom, a idealização de crônicas, o primeiro rascunho disso tudo, é um conto inacabado sobre um robô de guerra que quer se tornar um herói. É lá que aparece, num desenho, pela primeira vez, a ‘rotorball’ que, mais tarde, seria o motor de gravidade das naves em Crônicas de um Tempo Perdido”. “E quais foram suas referências na hora de escrever este livro?” perguntou ele, “Em Wordman você cita Freud, e no prefácio de crônicas você também cita ele, principalmente falando de ‘o mal estar na civilização’. Não entendi, foram referências, digamos, ‘póstumas’?”. Parei um segundo pensativo, mas respondi, “Sim. Tudo que eu li depois só veio enriquecer os conceitos presentes em Crônicas de um Tempo Perdido, mas estes já estavam criados. A civilização já era daquela forma antes de eu ler o ‘mal estar na civilização’ de Freud, e ela já era perfeita antes de eu saber quem era Comte. Mas é claro que eu, depois de ter lido, modelei ainda mais a história pra, agora propositalmente, se encaixar com estes autores”. “Perfeito”, completou Jô, “Mas, fale rapidamente sobre o seu encontro simultâneo com Neil Gaiman e Alan Moore”. “Simplesmente um sonho. Me senti um adolescente diante do seu ídolo. Minha assessora me liga num domingo de manhã me dizendo que eu fui convidado pra palestrar numa convenção da DC e da Dark Horse, em Las Vegas. Eu fui, animado mesmo por palestrar, é uma coisa que eu gosto de fazer. Mas ninguém me disse nada. Eu até tive meu narcisismo um tanto ferido por ser informado uma semana antes que eu ia participar de uma ‘mesa de palestrantes’, sendo que eu pensei que ia ser a estrela. Então. Uma hora antes, eles ofereceram um coquetel pros palestrantes quando eu vejo um sujeito peculiarmente cabeludo conversando com quem eu, surpreendentemente reconheci como Neil Gaiman. Daí foi só alegria, eu conversei com eles sobre muitas coisas. E eles são muito amigos, o Gaiman e o Alam Moore. Gaiman ainda me disse, simpaticamente,  que também ficou intensamente eufórico quando ficou no mesmo metro quadrado que Alan Moore e que de vez em quando não acredita que tem o telefone dele na agenda. Conversamos muito, sobre psicologia, principalmente, já que eles confessaram terem lido o Wordman também. Trocamos alguns elogios e falamos da ótima comida que tava sendo servida”, respondi empolgado. “Temos ali no telão a foto do Cabral”, e viu-se a foto. “Temos ali a direita, o primo ‘it’”, brincou Jô, “Esse é o Alan Moore”, corrigi brincando. “Desculpe, o Alan Moore, e a direita Neil Gaiman”. Jô dá uma folheada super rápida no livro. “E temos aqui, ‘Crônicas de um Tempo Perdido’, publicado pela editora ****... Conversamos com Tiago Cabral”. Ouviu-se um “ah” lamentoso da platéia. “Eu também gostei”, comentou Jô. “Voltamos no próximo bloco”. E ouve-se a vinheta.



Escrito por Tiago da Silva Cabral às 00h28
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Nudez

Você já se sentiu nua, no frio, na rua? É assim que eu me sinto:
Caminho numa rua escura onde só meus passos são vistos. E riem de mim, no escuro, nas sombras. E sei que eles podem ver dessa vez meus defeitos, meus sinais íntimos. Eles gargalham do tamanho do meu busto, fazem piadas com minha falta de corpo. Meus cabelos umedecem nas gotas do orvalho da madrugada. Faz frio e eu não posso me cobrir.
E eu sei por que riem de mim. Riem por que alguém que achei que amava conta a todos que pra ele eu “abri minhas pernas”, e me atirei sobre ele, e fui desprezada. Ele passa e me aponta com o dedo, amaldiçoando o dia em que me ofereci a ele.
Triste caminhada pela avenida, desnuda. A escuridão oculta aqueles que riem e gargalham, riem de mim, pois eu sou a única nua. E foi ele que depois de me rejeitar, arrancou minha roupa, e sou abrigada a caminhar pela rua, expondo tudo que foi rejeitado.


Escrito por Tiago da Silva Cabral às 23h41
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